segunda-feira, 2 de maio de 2011

Egoismos.

Há coisas que eu não compreendo e com as quais não me consigo identificar. Será que fui eu que envelheci, que estagnei no tempo? Será que me tornei numa mulher retrógrada?
Não consigo ver nada de positivo numa ida para um minúsculo e paupérrimo país em África, sob o pretexto de ir à procura de um futuro melhor, de ter visto nisto um desafio aliciante, de achar que ali se vai ser útil.
E para trás o que se deixa? Um filho pequeno, a precisar muito da mãe, uns pais velhos e que amanhã podem já cá não estar. Será que vale a pena arriscar tanto? A mim parece-me que isto não passa de uma atitude egoísta e egocêntrica. Quase um devaneio de uma louca. Afinal, a pessoa em causa esteve sempre à espera dos empregos que as cunhas lhe arranjavam, esteve sempre serena, sentada no sofá à espera que lhe caísse algo no colo. Nunca soube o que era ir à luta pela necessidade.
Mas há sempre um “depois”. E neste caso, o “depois” veio com a separação do casal. “Depois” as cunhas ficaram mais difíceis, o empreededorismo e a atitude para agarrar o touro pelos cornos continuaram fechados numa caixa com cadeado cujas chaves se deitaram fora, e a boa vida acabou por ter um fim.
Mas a mim, o que mais me chocou foi, a sua resposta quando lhe perguntei se caso ficasse no tal país para o resto da vida, se não queria levar o filho. Com toda a frieza, disse-me que se não houvesse condições, não. Mas que mãe é capaz de se separar assim, a frio do seu filho? Qual é a mãe que abdica do seu filho para ir para a terra onde o diabo perdeu as botas, por causa de um “trabalho”?
E não vale a pena dizer que o nosso país a tratou mal quando, afinal, nem procurou encontrar solução para o seu problema dentro deste nosso cantinho à beira mar plantado, se sempre “deu muito trabalho” pensar em procurar trabalho fora da sua comfort zone e organizar a vida, partindo do zero, noutro ponto do país.
Se eu fosse o filho dessa mãe, jamais a iria perdoar por me deixar sozinha. Se eu fosse essa mãe, definharia de desgosto a cada dia que passasse longe do meu filho. Se eu fosse filho dessa mãe sentir-me-ia triste e abandonado. Se eu fosse filho dessa mãe, pensaria que a minha mãe era egoísta e que nenhuma razão do mundo seria válida para nos afastar. Se eu fosse mãe desse filho, não pensaria em mim primeiro…

3 comentários:

  1. Eu sou muito agarrada às pessoas que me são próximas. Dificilmente, ou a muito custo - mas mesmo muito - conseguiria separar-me deles, viver longe deles. Se tivesse um filho, e eu ainda não sei o que é ser mãe, provavelmente ele iria comigo, fosse eu para onde fosse. É que, se pensarmos bem, a criança sofre bastante com a ausência dos seus progenitores e, sendo ainda uma criança pequena, ficará com marcas dessa separação para o resto da sua vida. Não é à toa que, em caso de divórcio, se costuma dizer que são as crianças quem mais sofrem. Imagina, então, numa separação deste género.
    Compreendo que, no que toca a uma mudança de país, o filho não possa ir já. Mas conheço quem se mudou para a Suíça e mais tarde, depois de tudo tratado e casa arranjada, veio buscar os filhos. Mas, é certo e sabido, as pessoas não são todas iguais...
    Eu não sou ninguém para julgar os outros, e até posso estar errada, mas parece-me que essa pessoa está a pensar só no seu umbigo, esquecendo-se que tem alguém que depende dela, principalmente emocionalmente. Está a esquecer-se do bem estar, do estado psicológico da criança, que é o próprio filho! Não consigo perceber, mas ela é que sabe da sua vida. Fica à sua consciência...

    Beijinhos :)

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  2. Eu sou como tu, super agarrada às pessoas e então a um filho nem sequer consigo imaginar porque também não sou mãe. Mas tenho uma certeza: jamais pensaria em separar-me do meu filho para ir viver para outro país. E mesmo que fosse para lá uns tempos para organizar as coisas para poder levar o meu filho, só o deixaria com quem eu soubesse com que eu soubesse que estava mesmo bem. Independentemente de ser o pai ou av+os. Eu teria de ter a certeza de que a criança não teria falta de nada, nem de amor e que iria ficar feliz. O que, por acaso, não é o caso. Mas esta mãe sempre foi mimada e egoista. Eu nunca achei que ela tivesse grande vocação para mãe, nunca a vi "babar" pelo filho, nem falar do filho como as outras mãe falam.
    Mas isto é apenas a minha opinião e o que me vai na alma. Esta mãe é que sabe da vida dela.

    Beijo!

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  3. Nem sequer posso acreditar que essa mulher pudesse deixar o filho para trás. Consigo mesmo visualizar a espécie de pessoa que é. Repugna-me por um lado, revolta-me por outro. É pessoa que está vazia, muito vazia por dentro.

    beijinho

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