domingo, 8 de maio de 2011

Eterno Conflito


Cheguei a casa cheia de febre e indisposta, quase a deitar tudo cá para fora. Assim que acabei de tomar um comprimido e me encostei na cama, começou a desfiar do rol das queixinhas. Sempre iguais, sempre as mesmas. e quanto às quais não posso fazer nada. E as quais já não posso ouvir. São todos os dias, todo o tempo que estiver em casa há-de haver um pretexto para relembrar um acontecimento e acrescentar uma queixa.

E isto é corrosivo, esgotante. É insuportável e eu já não consigo aguentar mais.
O pior é que depois eu não retribuo da forma que ela idealiza, que gostaria, porque eu não consigo. E acabo por levar pela tabela grande e ser acusada de não lhe dar “apoio nenhum”.

Hoje, gritei com ela. Os nervos foram mais fortes do que eu. E relembrei-a que eu sou apenas a filha e não sou eu que tenho de tomar o lugar dos pais. E disse-lhe que não consigo trabalhar e nem fazer nada que se aproveite com este constante “picar de miolos” com que ela me presenteia sempre que chego a casa. Corta-me o raciocínio, a concentração e mesmo que me tente abstrair, não consigo, pois ela está mesmo atrás de mim a falar-me ao ouvido.

Eu evito ao máximo, confrontá-la pois sei que ela subverte o que se lhe diz, interpreta as coisas à sua maneira e põe outras palavras na nossa boca. Disse-lhe, hoje, que o meu peso a mais era reflexo dos problemas que havia nesta casa, que me fazia não ter vontade para nada, muito menos para dietas. Simplesmente isto. Mas ela choramingou mais um pouco e respondeu-me, escandalizada “agora estares gorda, a culpa também é minha?”. Não compreendeu. Nunca compreende. Por isso me calo tantas vezes. Por isso me remeto ao silêncio.

Digo-lhe tantas vezes para ir desabafar com as amigas, que é para isso que elas servem, e me dar um pouco de paz. Mas ela não vê as coisas assim. Ela tem muito em conta a opinião dos outros. De tal maneira que me proíbe de contar certas coisas que se passam cá em casa, seja a quem for. E eu acabo por me calar. Por sofrer em silêncio. De engolir os meus problemas e não os partilhar com ninguém, sejam os de casa ou outros quaisquer.
Dou por mim, muitas vezes, a “enterrar” os problemas cá dentro, sem nunca ousar pronunciá-los a alguém de forma a exorcizá-los como a fantasmas.

E no fim das contas, a culpa acaba sempre por ser minha. Atribuída por ela e pelos outros.

1 comentário:

  1. Ai, amiga, tens que colocar essas coisas que te incomodam cá para fora. Só te faz mal guardares esses sentimentos apenas para ti. Não pode ser! Tens que pensar no teu bem estar, tanto físico como psicológico. A tua saúde, principalmente a mental, é importante. Desabafa sempre que precisares.
    Outra coisa: a culpa não é tua. Nunca foi e tu sabes bem disso. E isto é o mais importante: TU saberes que não tens culpa, que estás de consciência tranquila.
    Mais: não podes viver os problemas dos outros. Eu sei que é difícil, sei bem como é, mas tens que te abstrair dos problemas deles. Começa a evitá-los. Se quando chegares a casa ela te vier com as queixas do costume, diz-lhe, com calma: 'agora não, tenho um trabalho muito importante para fazer'. E refugia-te longe dela. Talvez, com o tempo, comece a perceber que estás cansada de toda essa situação e que queres um pouco de paz.
    Sair de vez para tua casa, não é uma solução? Pondera esta hipótese, embora eu saiba que pode não ser propriamente fácil. Não sei...
    Acho que só tu sabes como lidar da melhor forma com tudo isto. E sabes o que podes e deves fazer. Mas não te esqueças que deves estar em primeiro lugar, sim?
    Força, não desanimes!
    Qualquer coisa sabes onde encontrar-me. :)

    Beijinhos

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