terça-feira, 24 de maio de 2011

Sonho ou Pesadelo?


Acordei bastante perturbada. Tive um sonho, daqueles malucos, mas que não tinha já há algum tempo. A nossa mente é mirabolante e vai buscar coisas que estão bem guardadas num recanto qualquer do passado.
Desta vez juntei o meu Meio Pimento com um ex-namorado que tive que me cantava e tocava "Dunas" do GNR nas noites quentes de verão.
Sonhei que a minha relação com o Meio Pimento tinha terminado e tinha voltado a namorar com o tal ex - que já não vejo há imensos anos e nem sei nada dele - mas eu fartava-me de lhe mandar SMS às quais ele não respondia. Estava a tornar-se aflitivo. Comecei a ficar decepcionada e desiludida e acabei por perceber que a história tinha chegado ao fim. Sei que depois voltei a mandar SMs ao meu Meio Pimento mas se ele responeu ou não, já não sei. É sempre nestes momentos que o despertador toca!

Anyway, não trocaria o meu Meio Pimento por ninguém. Foi ele que eu escolhi para partilhar o resto dos meus dias com as suas qualidades e defeitos, com as suas teimosias e picardias, com o seu coração mole mas que às vezes se transforma em pedra. Ele é o dono do meu coração e é a ele que me dedico enquanto pessoa e a quem entrego todo o meu amor. Tem sido uma década lado a lado a enfrentar as felicidades e as agruras da vida.

E se o meu sonho fosse realidade, o meu Meio Pimento cortaria relações comigo imediatamente. É a maneira dele se proteger e não sofrer, torna-se implacável. Mas ainda bem que tudo não passou de um sonho. Não suportaria perder o meu Meio Pimento amado! 

Tive de desabafar aqui este sonho de forma a exorcizar a angústia com que acordei esta manhã. Ufa!

quarta-feira, 18 de maio de 2011

A Missiva.


Ela iria chegar um dia, mais tarde ou mais cedo. E já se sabia que não traria boas notícias. Não era uma carta desejada mas que se sabia que viria. E que iria trazer vários problemas à nossa vida. Que iria trazer nuances bastante cinzentas ao nosso quotidiano e nuvens bastante negras para pairar sobre a nossa cabeça por um longo período de tempo.

E a missiva chegou. Foi hoje. E isto significa reorganizar a vida (mais ainda!), fazer e refazer contas com os nossos parcos ordenados, É mais um problema para enfrentar e procurar resolver da melhor maneira possível. É procurar mais alternativas que permitam colmatar os efeitos secundários que advêm da missiva. E jamais, jamais baixar os braços ou perder as esperanças. Proibido esmorecer, desistir, ou perder as esperanças. Nesta vida tudo passa, tudo tem remédio... Eu quero crer que sim!

domingo, 8 de maio de 2011

Eterno Conflito


Cheguei a casa cheia de febre e indisposta, quase a deitar tudo cá para fora. Assim que acabei de tomar um comprimido e me encostei na cama, começou a desfiar do rol das queixinhas. Sempre iguais, sempre as mesmas. e quanto às quais não posso fazer nada. E as quais já não posso ouvir. São todos os dias, todo o tempo que estiver em casa há-de haver um pretexto para relembrar um acontecimento e acrescentar uma queixa.

E isto é corrosivo, esgotante. É insuportável e eu já não consigo aguentar mais.
O pior é que depois eu não retribuo da forma que ela idealiza, que gostaria, porque eu não consigo. E acabo por levar pela tabela grande e ser acusada de não lhe dar “apoio nenhum”.

Hoje, gritei com ela. Os nervos foram mais fortes do que eu. E relembrei-a que eu sou apenas a filha e não sou eu que tenho de tomar o lugar dos pais. E disse-lhe que não consigo trabalhar e nem fazer nada que se aproveite com este constante “picar de miolos” com que ela me presenteia sempre que chego a casa. Corta-me o raciocínio, a concentração e mesmo que me tente abstrair, não consigo, pois ela está mesmo atrás de mim a falar-me ao ouvido.

Eu evito ao máximo, confrontá-la pois sei que ela subverte o que se lhe diz, interpreta as coisas à sua maneira e põe outras palavras na nossa boca. Disse-lhe, hoje, que o meu peso a mais era reflexo dos problemas que havia nesta casa, que me fazia não ter vontade para nada, muito menos para dietas. Simplesmente isto. Mas ela choramingou mais um pouco e respondeu-me, escandalizada “agora estares gorda, a culpa também é minha?”. Não compreendeu. Nunca compreende. Por isso me calo tantas vezes. Por isso me remeto ao silêncio.

Digo-lhe tantas vezes para ir desabafar com as amigas, que é para isso que elas servem, e me dar um pouco de paz. Mas ela não vê as coisas assim. Ela tem muito em conta a opinião dos outros. De tal maneira que me proíbe de contar certas coisas que se passam cá em casa, seja a quem for. E eu acabo por me calar. Por sofrer em silêncio. De engolir os meus problemas e não os partilhar com ninguém, sejam os de casa ou outros quaisquer.
Dou por mim, muitas vezes, a “enterrar” os problemas cá dentro, sem nunca ousar pronunciá-los a alguém de forma a exorcizá-los como a fantasmas.

E no fim das contas, a culpa acaba sempre por ser minha. Atribuída por ela e pelos outros.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Egoismos.

Há coisas que eu não compreendo e com as quais não me consigo identificar. Será que fui eu que envelheci, que estagnei no tempo? Será que me tornei numa mulher retrógrada?
Não consigo ver nada de positivo numa ida para um minúsculo e paupérrimo país em África, sob o pretexto de ir à procura de um futuro melhor, de ter visto nisto um desafio aliciante, de achar que ali se vai ser útil.
E para trás o que se deixa? Um filho pequeno, a precisar muito da mãe, uns pais velhos e que amanhã podem já cá não estar. Será que vale a pena arriscar tanto? A mim parece-me que isto não passa de uma atitude egoísta e egocêntrica. Quase um devaneio de uma louca. Afinal, a pessoa em causa esteve sempre à espera dos empregos que as cunhas lhe arranjavam, esteve sempre serena, sentada no sofá à espera que lhe caísse algo no colo. Nunca soube o que era ir à luta pela necessidade.
Mas há sempre um “depois”. E neste caso, o “depois” veio com a separação do casal. “Depois” as cunhas ficaram mais difíceis, o empreededorismo e a atitude para agarrar o touro pelos cornos continuaram fechados numa caixa com cadeado cujas chaves se deitaram fora, e a boa vida acabou por ter um fim.
Mas a mim, o que mais me chocou foi, a sua resposta quando lhe perguntei se caso ficasse no tal país para o resto da vida, se não queria levar o filho. Com toda a frieza, disse-me que se não houvesse condições, não. Mas que mãe é capaz de se separar assim, a frio do seu filho? Qual é a mãe que abdica do seu filho para ir para a terra onde o diabo perdeu as botas, por causa de um “trabalho”?
E não vale a pena dizer que o nosso país a tratou mal quando, afinal, nem procurou encontrar solução para o seu problema dentro deste nosso cantinho à beira mar plantado, se sempre “deu muito trabalho” pensar em procurar trabalho fora da sua comfort zone e organizar a vida, partindo do zero, noutro ponto do país.
Se eu fosse o filho dessa mãe, jamais a iria perdoar por me deixar sozinha. Se eu fosse essa mãe, definharia de desgosto a cada dia que passasse longe do meu filho. Se eu fosse filho dessa mãe sentir-me-ia triste e abandonado. Se eu fosse filho dessa mãe, pensaria que a minha mãe era egoísta e que nenhuma razão do mundo seria válida para nos afastar. Se eu fosse mãe desse filho, não pensaria em mim primeiro…

The Reason.

Decidi criar este blog com o objectivo de escrever livremente, sem condicionalismos, amarras, preconceitos ou inibições.
Neste espaço pretendo partilhar os meus pensamentos, as minhas reflexões, as minhas opiniões, os meus sonhos, as minhas desilusões, os meus momentos felizes ou as fases agridoces da minha vida.
Quero dizer o que me vai na alma sem ter de pensar em quem me está a ler, se posso ferir susceptibilidades ou não, se este tema está relacionado com esta pessoa ou aquela. Quero escrever de forma anónima, por isso, fiquem a saber…
You don’t know me at all!